Ex-Blog do Cesar Maia 05/06/2006
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QUAL A DÚVIDA SOBRE O SEGUNDO TURNO? ( resposta a dezenas de e-mails).
1. É evidente que um número maior de candidatos tornaria o segundo turno uma
certeza. Entre outras coisas porque numa campanha para a reeleição todos os
demais candidatos são de oposição. A Mosaico já demonstrou que um candidato a
mais, dá a oposição 160 comerciais a mais durante a campanha e tira 160
comerciais de Lula-PT. Os especialistas dizem que uma mensagem é fixada pelo
consumidor com 80 comerciais. Portanto o efeito é significativo. Três candidatos
a mais seriam 480 comerciais trocados.
2. Bem, é verdade, nesse caso, que a resistência à verticalização foi um castigo
ao PSDB.
3. Este ex-blog não tem dúvida que a tendência a um segundo turno está dada. O
vale que surge após o topo do mensalão dá um certo conforto -aparente- ao
presidente. Mas volta tudo na campanha e de todos os lados.Não apenas na
campanha presidencial, mas nas estaduais onde o PT praticamente corre sem um só
candidato competitivo a governador. Em pelo menos 12 estados o fogo será forte.
Voltam as imagens -que a mídia apresentou e as que não apresentou. O Senado as
tem gravadas e disponíveis, e as câmeras dos partidos de oposição atuaram. E
ainda há a disputa na base entre deputados que atinge todos os estados, mesmo
que em alguns parcialmente. E o mensalão tem vários links estaduais que serão
usados.
4. Mas há um problema delicado em função de um quadro de poucos candidatos. Hoje
os que não marcam nenhum candidato nas intenções de voto, reagem a um
pesquisador que está louco que eles marquem alguma coisa. E ainda há
pesquisadores novatos, que não contabilizam aquele eleitor que não aceitou ser
abordado, e que deveria ser contado como "não respondeu". Em geral se livram
marcando o mais óbvio, o que mais conhecem, em especial quando a pesquisa se dá
em pontos de fluxo, como nas grandes cidades em função do clima de insegurança.
Esta questão do não voto, ( nulo, branco, não sabe, não respondeu, nenhum
deles), pode ser engrossada ou não. Se o eleitor que não quiser votar no Lula
achar/tiver a convicção que vai dar Lula, ele pode caminhar para o Não Voto.
5. Quanto maior o Não Voto, menor a porcentagem que Lula deverá ter para ganhar
no primeiro turno. Nos últimos anos a abstenção tem ficado na casa dos 15%. Aqui
estão os que faleceram e ainda não se deu baixa, os que trocaram de cidade e não
se registraram , os que não puderam votar,( estavam doentes, viajando,..), os
maiores de 70 anos que não quiseram, e uma categoria que tem crescido: os que
descobriram que o voto no Brasil não é obrigatório; obrigatório é preencher uma
ficha nos Correios e pagar 2 reais. Os brancos+nulos dificultados pela máquina
-e expelidos da mídia- passam a ter um canal crescente pela internet. Antes eram
uns 7% ou 8%. Total do Não Voto sobre os inscritos: uns 20% supondo que os
falecidos, delinqüentes ocultos, ou os que migraram,.... sejam uns 2%. Nessa
campanha o Não Voto pode crescer uns 10 pontos. Se ficar concentrado nos que não
votaram, não mexem na porcentagem para o primeiro turno, mas afetam os que não
votariam em Lula. Se forem as urnas e anularem o voto, a porcentagem cresce de
7/8% para 17/18%. Nesse caso Lula precisaria ter o mesmo que teve em 2002 para
ganhar no primeiro turno.
6. Dessa forma um fator essencial é a animação do eleitor quanto a ir votar e
votar em alguém, seja qual for o candidato. Na medida que a soma dos outros, que
não Lula, aproximar as eleições do segundo turno, aumenta a animação. E se
Heloisa Helena/Cristóvam crescerem e -paradoxalmente- se aproximarem de Alckmin,
aumenta exponencialmente a probabilidade de segundo turno que estará quase
garantido pelo entusiasmo desses que tem razões políticas para não votarem em
Lula. Nesse sentido o discurso do "menos pior" -se pegar- pode ser fatal pois
esvazia Heloisa Helena.
7. São essas as questões que devem ser tratadas desde ontem, e não desde já.